sábado, 9 de julho de 2011

QUATRO BAIANOS PORRETAS

Le Monde Diplomatique
 
Quatro baianos porretas, Silvio Tendler,
Ed. Garamond Universitária e Editora Puc-Rio

Silvio Tendler gosta de rebeldes. Os baianos, para ele, concentram uma carga comum de "genialidade libertária", forjada pela geografia, pelos costumes e pelo entorno histórico daquele Estado brasileiro. No livro "Quatro Baianos Porretas", lançado em maio, o documentarista compila quatro dos seus roteiros sobre rebeldes, os baianos justamente: Castro Alves, Milton Santos, Carlos Marighella e Glauber Rocha. Na poesia, na filosofia, na política e no cinema, em momentos históricos diferentes, Tendler tenta mostrar que baiano entende, sim, de utopia.

O documentarista parte da estética (discutível) do doc.drama para traduzir em imagens a poesia de Castro Alves e a partir dessa paixão castro-alvista dividida entre o geógrafo Milton santos, o guerrilheiro Mariguella e o cineasta Glauber Rocha amarra a história desses quatro nomes da história nacional.

Umas das célebres frase de Glauber Rocha, "A historia é feita pelo povo e escrita pelo poder", foi também subvertida por Silvio Tendler. Autor de mais de 40 filmes, entre curtas, média e longas-metragens, Tendler especializou-se em biografias históricas de cunho social, entre elas os sucessos de bilheteria (pouco comuns no cinema brasileiro para o gênero documentário): "Jango" teve 1 milhão de espectadores, "Anos JK", 800 mil, e seu último filme, "Utopia e Bárbarie", também encheu as salas. O livro, além de revisitar a história desses quatro brasilerios, é um ótimo exemplo da linguagem documental, dado o didatismo de cada obra e o tom de "aula" que Tendler imprime. 

"É muito fácil reconhecer o trabalho do ficicionista, na medida em que você tem todo o processo de criação. Você escreve o roteiro de uma forma arbitrária, pensa a cenografia, os figurinos, a interpretação, tudo é arbitrário. No documentário, não. Você tem como matéria prima bruta a realidade, e é muito mais difícil saber separar o processo de criação daquela realidade que se apresenta." Na parte final do livro, em entrevista a Miguel Pereira sobre cinema, história e política, as palavras do autor deixam claro que os "quatro baianos porretas" da tela são também, em alguma medida, a visão dele próprio sobre seus "personagens. O livro é vendido tanto individualmente quanto com o box dos quatro filmes. Uma oportunidade para conhecer mais a história (rebelde) do Brasil.
  


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