quinta-feira, 31 de maio de 2012

SOBRE A EDITORA BAIANA “CASARÃO DO VERBO”


Entrevista com Rosel Soares, da Casarão do Verbo


Rosel Soares tem 39 anos e é um dos sócios da editora baiana Casarão do Verbo. Fundada em 2007, a Casarão já tem 15 livros publicados. Apesar da maior parte do catálogo ser formada por obras de escritores baianos, Rosel explica que o critério de publicação é a qualidade do texto. Confira a entrevista.
M: Como é ter uma editora jovem hoje no Brasil?

R: É, antes de tudo, um ato de coragem; o que, por sua vez, é ingrediente para a ousadia e o empreendimento. Renata, Rafael eu – os três sócios da Casarão do Verbo – já atravessamos aquela fase primeira, marcada por uma certa ansiedade que nos fazia pensar quase sempre: de onde virá o dinheiro para publicar o terceiro título? Morreremos no quinto? Chegar ao décimo pode ser um sinal de vitalidade? Mas, para não fugir à pergunta: é um constante desafio ter uma editora jovem no Brasil, como em qualquer parte do mundo, suponho. Mas é erro achar que todos os espaços e nichos já foram abocanhados pelas grandes e consolidadas editoras.

M: Quais são os critérios da Casarão do Verbo para publicação?

R: Um autor publicado pela Casarão do Verbo precisa ser, antes de tudo, um exímio contador de histórias. Precisa saber escolher as melhores palavras disponíveis na língua Portuguesa para contar essa ou aquela história. Precisa estar preocupado em criar o mais rápido possível a sua própria voz narrativa. Precisa, assim, ter um estilo que o diferencie o quanto antes de seus mestres.

M: Qual a imagem que a Casarão do Verbo quer passar para o público? Como isso reflete no catálogo da editora?

R: A imagem que nós estamos construindo e que deverá ser consolidada nos próximos cinco anos é a de uma casa de livros voltada para a publicação de obras de qualidade literária respeitada e também a de uma editora preocupada com a formação de leitores, a começar pela região Sudoeste da Bahia, que é onde a Casarão está sediada [na cidade de Anagé]. Não posso adiantar ainda nenhum de nossos projetos nesse sentido, mas é certo que ainda esse ano deveremos lançar o primeiro de seis dos nossos projetos envolvendo a formação de leitores na Bahia.

M: Se você pudesse publicar qualquer autor, quem seria ele? E por quê?

R: Há vários nomes, entre mortos, vivos e feridos. Tenho um respeito que chega a beirar a idolatria por nomes como Guimarães Rosa, Machado de Assis e Hélio Pólvora (que aliás segue vivo e publicado pela Casarão do Verbo). Mas eu seria infinitamente realizado enquanto editor se tivesse publicado Graciliano Ramos.



"Picardia colore intimismo de Hélio Pólvora”

(Trecho de resenha da Folha de S. Paulo sobre "Don Solidon", romance de Hélio Pólvora lançado em 2012 pela Editora Casarão do Verbo)


"Don Solidon", segundo romance do autor baiano de 83 anos, narra a crise de uma família com toques burlescos

 NELSON DE OLIVEIRA
ESPECIAL PARA A FOLHA


O escritor baiano Hélio Pólvora, nascido em 1928, estreou na ficção com um livro de contos, "Os Galos da Aurora" (1958), e foi fiel ao gênero durante meio século.

Seu primeiro romance, "Inúteis Luas Obscenas", saiu em 2010 e foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Um ano depois, o autor já entregava ao editor seu segundo romance, escrito em apenas quatro meses.

Mas "Don Solidon" está longe de ser uma "obra de quatro meses". Se comparado com o romance anterior, que exigiu cinco anos de gestação, não perde a disputa. Sequer empata. Ele vence por uma pequena margem.

"Inúteis Luas Obscenas" e "Don Solidon" falam da desagregação da família, porém o segundo romance faz isso com mais misantropia e um toque de picardia.

(...)

NELSON DE OLIVEIRA é doutor em letras pela USP e autor de "Poeira: Demônios e Maldições" (Língua Geral)

Fonte: Folha de S. Paulo, 30 de maio de 2012


“Livro critica Verger e Waly e abre rixa na BA”

(Trecho de resenha da Folha de S. Paulo sobre "Diáspora", romance de Fernando Conceição lançado em 2012 pela editora Casarão do Verbo)


Professor acusa Estado de censura; secretaria diz que obra pode ofender honra

 FABIO VICTOR
DE SÃO PAULO

 

Autor de um livro que traz críticas a expoentes da cultura baiana, como o fotógrafo Pierre Verger (1902-1996) e o poeta Waly Salomão (1943-2003), o professor universitário e jornalista Fernando Conceição acusa o Governo de Jaques Wagner (PT), na Bahia, de censura à obra.

O apoio de R$ 30 mil para a edição do romance "Diáspora" - que, diz o autor, trata da disputa pelo poder político e das relações sociorraciais na Bahia -, foi aprovado num edital de 2011 da Secretaria de Cultura do Estado.

Mas a "análise técnica" da secretaria condicionou a liberação da verba a um parecer jurídico da Procuradoria-Geral do Estado, sob alegação de que trechos da obra poderiam "ser interpretados como ofensas à honra de personalidades públicas reais".

(...)

Doutor em comunicação pela USP e professor da UFBA (onde é desafeto do secretário de Cultura, Albino Rubim), Conceição prepara biografia do geógrafo Milton Santos (1926-2001) com patrocínio de R$ 500 mil da Petrobras.




3 comentários:

  1. A censura no Brasil continuar viva.Porque o mais importante para eles é mascarar realidades e fazer desse País uma ilha da fantasia.Mas graças aos autores de lucidez... como Fernando Conceição que tem experiencia e bons textos de conscientização, onde se faz tão necessário para uma boa leitura e compreensão da situação cultural, racial e politica que cerca essa cidade chamada Salvador-Bahia.

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  2. everaldo Oliveira Santos29 de julho de 2012 11:04

    É de uma satisfação enorme garimpar boas informações na rede e deparar com trechos da luminosa entrevista de Rosel Soares, editor da Casarão do Verbo. Aí, renova-se o ânimo e precebe-se que nem tudo está perdido. Há sim uma luz no fundo do túnel. Que esse Casarão seja o abrigo da boa Palavra que se produz de bom nesta outrora Terra da Fertilidade Cultural. Everaldo Oliveira Santos (Bahia)

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  3. gostaria de netrar em conato com a casarao do verbo para estabelecer parceria no semtido de DIVULGAAR suas publçicações na página assinada por mim na revist TERRA MAGAZINE( RECIFE-pe- AGUARDO CONTATO . selma_vasconcelo@uol.com.br)

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