terça-feira, 29 de julho de 2014

DITADURA, LUTA ARMADA E TORTURA EM VITÓRIA DA CONQUISTA

(Texto do jornalista Jeremias Macário, conforme trechos extraídos das páginas 271/274 e 277/279 do livro UMA CONQUISTA CASSADA, obra que será oficialmente lançada no dia 31 de julho de 2014, às 20 horas, na Livraria Nobel, no centro de Vitória da Conquista – BA)



"Em 1972, o nome de Ruy [Medeiros] foi entregue aos militares lá no sul do Pará, em plena selva amazônica  (…)

Depois de interrogatórios com tortura pelos agentes que queriam saber sobre os métodos de recrutamento para a luta armada [na região do Araguaia], Eduardo José não suportou os sofrimentos e entregou vários nomes (…) inclusive o de Ruy Medeiros, de Vitória da Conquista (…)

Quando Ruy [Medeiros] entrou na Travessa Adriano Bernardes, entre a Rua Francisco Santos com o Terminal Lauro de Freitas, onde ele tinha um escritório de advocacia com Vicente Cassimiro, os caras da Federal encostaram e o cercaram com metralhadoras e armas pesadas.

Tudo isso aconteceu no dia 25 de maio de 1973  (…)

Naquela época, para evitar assassinato e desaparecimento (era o que muito ocorria), o partido orientava que quando preso o militante começasse a gritar o seu nome e dissesse que estava sendo preso pela ditadura. 

- Foi o que fiz, imediatamente. Isso possibilitou que as pessoas de Conquista ficassem sabendo que havia sido preso, inclusive o local.

Logo depois, os policiais pegaram seu companheiro de trabalho, Vicente Cassimiro.

As pancadas e as torturas começaram no prédio do DNER  (…)

Na ocasião, estava de passagem em Conquista o temido Delegado Sérgio [Paranhos] Fleury, que acompanhou a prisão de Ruy [Medeiros] do DNER até Salvador  (...)

No segundo dia, Vicente Cassimiro foi apresentado ao Oficial que lhe fez algumas perguntas, em pé e com as mãos para trás, sem algemas. Terceiro dia de tormento e aí resolveram mandar os dois para o real inferno da repressão de Salvador. Era o temido Quartel de Barbalho  (…)

Até que um dia, para piorar, recebeu a visita do lúcifer tirano dos tiranos, dos mais temidos. Parecia sair das trevas profundas. Não teve certeza, mas era sim o Delegado Sérgio Paranhos Fleury  (…)

Começaram a pressionar quanto a Ruy Medeiros, indagando se ele era mesmo do partido comunista (…) 

Depois de muitas perguntas, o homem quis saber detalhes sobre Elquisson Soares, sobre sua veemência, e insistia que informasse sobre qual partido comunista ele era filiado.

- É um terrorista, não é? Pressionavam os inquisidores  (...)

Com a voz embargada de tanta emoção, Ruy [Medeiros] narra o sofrimento de 13 dias de torturas de todos os tipos, como telefone, pau-de-arara, choque elétrico, cadeira-do-dragão, geladeira e outras modalidades rotineiras  (…)

Dali o preso saía sem condições de andar. Tentavam colocar a vítima em pé, mas o preso desabava como um saco vazio. Para ser levado até a cela, só mesmo amparado pelos guardas. Quando isso não ocorria, Ruy [Medeiros] conta que era obrigado a sair engatinhando pelo chão..."


Ao centro desta foto de 2013, vivo e gozando de boa saúde, 
o Advogado Ruy Medeiros, Professor da Faculdade de Direito da 
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) 
e membro do Conselho Federal da OAB, 
cercado pelos Juízes Gerivaldo Neiva e Reno Viana.

O Advogado Vicente Cassimiro, em 1973.

Em 1973, o Advogado Elquisson Soares,
com Ronaldo Soares (ao lado) e Reno Viana (ao fundo).




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